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A.∙.R.∙.L.∙.S.∙. Fraternidade Serrana, nº 57

SÃO JOAQUIM - SC


 

PALAVRA SAGRADA E PALAVRA DE PASSE DO GRAU DE COMPANHEIRO


Iran Fontanella de Brida

São Joaquim- 09/03/2010

 


1. INTRODUÇÃO

Nós os seres humanos somos os únicos seres vivos que utilizam a palavra como meio de comunicação. A palavra é um símbolo que expressa uma idéia que esta relacionada diretamente com nossa mente, escrita ou falada tem grande influência na maneira como vivemos.
A palavra está diretamente relacionada à capacidade de persuasão de cada um. O poder de alinhar as palavra com as atitudes e as ações faz com que algumas pessoas, não conscientes dos inúmeros pensamentos que lhe afligem a mente, expressem verbalmente tudo que lhes vem à cabeça e que muita vezes não condizem com aquilo que falam ou fazem.
A Maçonaria por sua vez utiliza-se da Palavra em inúmeros ocasiões: encontramos a Palavra Semestral, a de Reconhecimento, a de Ordem, a Misteriosa, e muitas outras.
Neste trabalho falarei em especial sobre a Palavra Sagrada e a Palavra de Passe do grau de companheiro que muitas vezes são confundidas. A PALAVRA SAGRADA e a Senha de reconhecimento (em cada grau) utilizadas pelos maçons exclusivamente nas cerimônias maçônicas, a PALAVRA DE PASSE é a Senha de reconhecimento entre os maçons, para que estes sejam reconhecidos dentro dos seus graus.


2. PALAVRA SAGRADA

No quarto ano do reinado de Salomão, no século XI a.C., seguindo o plano arquitetônico de Davi, seu pai, foi iniciado a construção do templo de Jerusalém. O templo tinha uma planta muito similar à tenda ou tabernáculo que anteriormente servia de centro da adoração ao Deus de Israel, esta planta contemplava duas colunas, Boaz, na esquerda, e Jachin, na direita. Esta é a mais antiga referencia que se tem sobre o nome JAQUIM que originou a palavra sagrada.
Sua tradução em hebraico lhe dá o significado de ESTABILIDADE, porém, alguns autores de origem grega, apresentam-a como uma palavra composta: “Jah” que seignifica Deus e “Iachin” com o significado de Estabelecerá, ou seja “Deus Estabelecerá”,
Não se sabe ao certo os motivos que Salomão tivera para colocar a palavra Jaquim na coluna do sul. No livro dos Gênesis, Jaquim, surge como o quinto filho de Simeão, filho de Jacó e pai dos jaquinitas, os quais formavam uma associação conhecida como a dos Homens Justos.
A coluna denominada Jaquim, e que se pode resumir como coluna “J” recebe outros significados como sendo a coluna da Firmeza, durabilidade, eternidade, imortalidade, constância, engenho, talento, perseverança, beleza e a ja citada Estabilidade.
Segundo Rizzardo da Camino o consagrado princípio maçonico “A minha perseverança está no bem" constitui a base sólida para que Hiran gravasse a inicial “J” na coluna do sul, no templo de Salomão, coluna que, junto com a do norte de inicial “B” sustentam o mundo simbólico da maçonaria, complementa ainda que se a palavra sagrada do 1º Grau representa a matéria com todas as suas forças materiais a palavra sagrada do 2º Grau simboliza as forças espirituais,

 

3. PALAVRA DE PASSE


A Palavra de Passe do Grau de Companheiro foi retirada das Sagradas Escrituras, mais propriamente do Velho Testamento, Livro dos Juízes – Cap. 12, 1-7.
A História Bíblica relata o confronto entre Jefté, general de Gileade contra o exército de Efraim. O motivo desta desavença teria surgido do fato de não serem convidados os Efraimitas, de participarem do conflito contra os filhos de Amon, lembrando que os vencedores, nesta época, costumavam levar os ricos despojos de guerra dos vencidos. Jefté, vitorioso no combate resolveu para garantir a total derrota dos Efraimitas, guardar as passagens do rio Jordão, por onde tentariam os fugitivos retornarem a suas terras. A semelhança entre os povos daquela região dificultava esta vigilância, foi então que, Jefté utilizando-se da variação lingüística, armou um meio de acabar de uma vez por todas com o exército de Efraim. Assim sendo, todos que por ali passavam eram imediatamente indagados a repetirem uma palavra.

A palavra escolhida foi SCHIBOLET, pois os Efraimitas pronunciavam a consoante S, num som mais sibilado, saindo então SIBOLET, dessa feita, os Efraimitas prejudicados por sua diferença de pronúncia, ao repetirem a palavra, eram então rapidamente identificados e degolados.
Como a palavra Shibolet resultou uma senha segura, o rei Salomão a Usou, posteriormente, como palavra de passe para os companheiros.
Essa Palavra foi adotada pela Maçonaria, tanto pela sua origem histórica como pelo seu significado.O significado da palavra assim como sua grafia possui variações conforme as fontes pesquisadas, encontrando-se na escrita os termos SHIBBOLETH, SCHIBBOLET, XIBOLETE e na tradução, Espiga, Verde, Proceder, conforme outras interpretações, o significado passa a ser A Senda ou O Caminho. De acordo com Jorge Adoum, “Um caminho, do qual não pode e
nem deve afastar-se, porque é o Caminho do Serviço e da Superação”.

Para a maçonaria, o valor da Palavra de Passe é o seu significado simbólico, que em hebraico significa “espiga de trigo” e também “corrente de água”
Rizzardo da Camino, fundamenta suas teorias também na relação da Palavra com a Espiga de Trigo, fazendo ainda uma correlação com “Corrente de
Água”. Onde o Trigo representa desde a fecundidade até seu crescimento, onde o Aprendiz vence e se transforma em Companheiro, quando se encontra e estabelece no plano elevado, para amadurecer e, por sua vez, frutificar. Já a “Corrente de Água”, seu simbolismo está relacionado em ser a água um dos principais elementos da Natureza, indispensável à Vida.

Por fim, utilizo novamente a interpretação do Irmão Camino, onde afirma que a Palavra de Passe tem em sua essência o significado de a trajetória encetada pelo Aprendiz em busca do mestrado, alcançado apenas com dedicação, labor e perseverança.

 

4. CONCLUSÃO

A maçonaria esta carregada de representações e significados, e não seria diferente com as palavras, seja as que estudamos nessa peça arquitetônica, seja nas que já vimos anteriormente em outros trabalhos ou seja nas palavras estudaremos nos graus superiores.
A produção deste trabalho nos leva a pensar sobre a força que estas palavras podem exercer, negativa ou positivamente em nossas vidas. Sim, afinal, as palavras podem libertar e oprimir, alegrar e entristecer, fazer viver e fazer morrer, aliviar e angustiar, rir e chorar, incentivar e esmorecer, amar e odiar e como vimos dar acesso e permanência.

É importante que prestemos atenção e tenhamos “presença de espírito” para sabermos falar a palavra certa no momento certo e do modo certo. Há ainda outra situação: quando a palavra mais forte é o silêncio. Quantas vezes falamos demais, falamos o que não sabemos, falamos para a pessoa errada, no momento errado e da forma errada. Com absoluta certeza, principalmente na condição de maçom escutar e silenciar são artes que precisamos aprender e exercitar para podermos evoluir na senda maçônica, afinal esse exercício de silêncio vem sendo praticado á vários séculos dentro de nossa instituição .

 

5. BIBLIOGRAFIA


ADOUM, Jorge – GRAU DO COMPANHEIRO E SEUS MISTÉRIOS –
Esta é a Maçonaria. Ed. PENSAMENTO, 15.ª Edição, São Paulo, 1998.
CAMINO, Rizzardo da – SIMBOLISMO DO SEGUNDO GRAU –
Companheiro. Ed. MADRAS – São Paulo, 1998.
FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de – DICIONÁRIO DE MAÇONARIA.
Ed. PENSAMENTO, 14.ª Edição, São Paulo, 1998.
http://www.fraternidadepaulista.com.br/conteudo.asp?IDLink=14

 

 

 

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