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LANDMARKS
As mais antigas leis que regem a
Maçonaria Universal.
Muito
já se tem escrito e discutido acerca dos Landmarks na
Maçonaria.
A
primeira vez em que se fez menção à palavra
Landmark em Maçonaria foi nos Regulamentos Gerais compilados
em 1720 por George Payne, durante o seu segundo mandato como
Grão Mestre da Grande Loja de Londres, e adotados em
1721, como lei orgânica e terceira parte integrante das
Constituições dos Maçons Livres, a conhecida
Constituição de Anderson. Com efeito, o artigo
39 dos Regulamentos Gerais de 1721 estabelece o seguinte:
XXXIX
Cada Grande Loja anual tem inerente poder e autoridade
para modificar este Regulamento ou redigir um novo em benefício
desta Fraternidade, contanto que sejam mantidos invariáveis
os antigos Landmarks...
Os
Landmarks, que podem ser considerados constituição
maçônica não escrita, longe de ser
uma questão pacífica, se constituem numa das mais
controvertidas demandas da Maçonaria, um problema de
difícil solução para a Maçonaria
Especulativa.
Há
grandes divergências entre os estudiosos e pesquisadores
maçônicos acerca das definições e
nomenclatura dos Landmarks. Existem várias e várias
classificações de Landmarks, cada uma com um número
variado deles, que vai de três até cinqüenta
e quatro. Segundo Virgílio Lasca, citado por Nicola Aslan
em Landmarques e Outros Problemas Maçônicos,
para a Grande Loja de Nova York os Landmarks são apenas
seis, para a Grande Loja da Virgínia são sete,
para a Grande Loja de Massachusetts são oito, para a
Grande Loja de Nova Jersey são dez, para a Grande Loja
de Tennessee são quinze, para a Grande Loja de Connecticut
são dezenove, para a Grande Loja de Minnesota são
vinte e seis e para a Grande Loja de Kentucky são cinqüenta
e quatro.
Via
de regra, as Obediências Maçônicas adotam,
tácita ou explicitamente, a classificação
de vinte e cinco Landmarks compilada por Albert Galletin Mackey,
sobre a qual recaem severas críticas restritivas.
Considerando-se
que, segundo Albert Pike, citado por Nicola Aslan em Landmarques
e Outros Problemas Maçônicos, ao elaborar
a sua classificação de apenas cinco Landmarks,
até, pelo menos, o ano de 1723, a Lenda do Terceiro Grau
ainda não havia sido introduzida na Maçonaria
Especulativa, o Terceiro Landmark da compilação
de Albert Mackey não pode ser reconhecido e tido como
verdadeiro, tomando-se como base o conceito de Landmark do próprio
Mackey que, desse modo, se expressou em Masonic Jurisprudence:
Há
diversidade de opiniões entre os tratadistas a respeito
da natureza das Antigas Marcas da Maçonaria; porém
o melhor método será limitá-las aos antigos
e universais costumes da Ordem que acabaram por concretizar-se
em regras de ação, ou que se articularam em leis
por alguma autoridade competente, e o seria em tempo tão
remoto que não deixou sinal da história.
Estudiosos
há que, pretensamente, os consideram como princípios
fundamentais da Maçonaria como Instituição,
ainda que sua origem se perca na poeira dos tempos e não
tenha sido obra de nenhum legislador.
Como
refere Nicola Aslan (Landmarks e outros problemas maçônicos
- Estudos, p. 13), "a idéia geral que se tem sobre
os Landmarks, na Maçonaria, é que são usos,
costumes, leis e regulamentos universalmente reconhecidos, existentes
desde tempos imemoriais, fundamentais princípios da Ordem,
inalteráveis e irrevogáveis, e que não
podem ser infringidos ou desviados o mais levemente que seja.
Tão remotos seriam eles de não se lhes poder determinar
a origem, e tão essenciais que, se fossem alterados,
modificados ou emendados, também estaria mudado o próprio
caráter da Maçonaria".
Etimologicamente,
a expressão deriva da palavra inglesa landmark, composta
de land - terra, solo, terreno, e mark limite, marco.
Como assinala Aslan (op. cit., p. 15), ... significa,
pois, marca na terra para ser utilizada como ponto de referência,
e mais, limite, linde, marco, lindeiro, fronteira, raia, termo,
ponto divisório, baliza, confim, estaca, etc. Mas em
literatura maçônica, o vocábulo tem o sen1ido
de regra ou norma".
Afirma
ainda que, como tantas outras, a idéia dos Landmarks
veio da Bíblia, o que não deve causas estranheza,
de vez que "a partir do momento em que os ingleses se afastaram
do domínio religioso de Roma, as Sagradas Escrituras
se tornaram o livro de cabeceira daquele povo. E de fato,
vários versículos da Bíblia referem-se
a marcos e limites. Há os que removem os limites
(Jó, 24, 2); Não removas os marcos antigos
que puseram teus pais (Provérbios, 22, 28); Maldito
aquele que mudará os marcos de seu próximo
(Deuteronômio, 27, 17). (Nicola Aslan, ibidem).
É
oportuno mencionar-se que Anderson, a quem se atribui a sistematização
da Constituição de 1723, era pastor. A propósito,
Christian Jacq (A Franco-Maçonaria História
e Iniciação, p. 15), afirma que dois homens representaram
importante papel na elaboração das constituições
surgidas em 1723: o pastor Jean Théophile Désaguliers
(1683-17??) e o pastor Anderson (1684-1739).
Isso
evidencia que a polêmica ultrapassa os limites dos Landmarks
propriamente ditos, estando presente até na definição
da autoria da Constituição de Anderson, de 1723.
Sobre o assunto, diz Christian Jacq (ibidem, p. 16), ...
predominam três teorias: Anderson é o único
autor; Désaguliers é o verdadeiro autor e Anderson
o zeloso redator; um comitê de quatorze maçons
indicou as idéias principais que Anderson pôs em
forma".
Jacq
acrescenta que, segundo notas do próprio Anderson, ...
irmãos cheios de escrúpulo queimaram demasiado
precipitadamente vários manuscritos de valor referentes
à Fraternidade, às Lojas, aos Regulamentos, Obrigações,
Segredos e Costumes, para que esses papéis não
caíssem entre as mãos dos profanos . A
justificativa é um tanto fraca! prossegue
Jacq. Essa revelação nos informa em termos
claros que as constituições autênticas
foram simplesmente destruídas para que ninguém,
no futuro, pudesse estabelecer comparações significativas.
Destruição ingênua parece, pois as antigas
regras de vida dos maçons foram, em parte, encontradas.
Importante
ressaltar que, apesar da confusão e da polêmica
acerca da Constituição de Anderson, é absolutamente
evidente a sua preocupação em estabelecer uma
posição política para a Maçonaria,
como se pode verificar no preceito que trata da Autoridade Civil,
superior e inferior, que diz textualmente: "O maçom
deve ser pessoa pacífica, submeter-se às leis
do país, onde estiver e não deve tomar parte,
nem se deixar arrastar nos motins ou conspirações
deflagrados contra a paz e a prosperidade do povo". "Nem
se mostrar rebelde à autoridade inferior, porque a guerra,
o derramamento de sangue e as perturbações da
ordem, têm sido sempre funestos para a Maçonaria".
"Assim é que, na antiguidade, os reis e príncipes
se mostraram muito dispostos para com a sociedade, pela submissão
e fidelidade de que os maçons deram constantes provas
no cumprimento de seus deveres de cidadão e em sua firmeza
em opor sua conduta digna a caluniosas acusações
de seus adversários. Esses mesmos reis e príncipes
não se recusaram a proteger os membros da Corporação
e defender a integridade da mesma, que sempre prosperou em tempo
de paz. Segundo estas doutrinas, se algum Irmão se convertia
em um perturbador da ordem pública, ninguém devia
ajudá-lo na realização de seus propostos
e pelo contrario devia ser compadecido por ser um desgraçado.
Mas por este fato, e ainda que a Confraria condenasse sua rebelião,
para se evitar dar ao governo motivo de alguma suspeita ou de
descontentamento, sempre que o rebelado não pudesse ser
censurado por outro crime, não podia ser excluído
da Loja, permanecendo invioláveis suas relações
com esta, bem como os direitos de que como maçom gozava.
Entendemos
que este preceito, mesmo com as características de um
landmark, não é assim tão inflexível,
eis que admite em nome, talvez, da tolerância ,
a rebeldia do Irmão, inclusive acobertando seu deslize,
embora o rotulando de desgraçado.
Ou
então, o que nos parece mais consentâneo com a
realidade, traz ele implícita a idéia de que o
maçom é um homem livre, fiel às leis,
amigo dos governantes, quando eles são virtuosos,
não admitindo viver sob a opressão de um governo
despótico ou tirânico".
Por
aí se vê destaca João César
(Maçonaria e Política. 1956. p. 98) o caráter
eminentemente político da Constituição
de Anderson. Enquanto havia necessidade de a Maçonaria
servir aos adeptos das concepções democráticas
e liberais de Cromwell, essa Constituição não
encontrava ambiência. E só teve a aceitação
que granjeou imediatamente porque ia servir, politicamente,
ao poder constituído, interessado na submissão
de tão poderosa organização .
No
entanto, João César (op. cit. pp. 97/98), destaca
também que Anderson, ministro cristão do
Evangelho, deu cunho de religiosidade à Ordem e aboliu
o caráter cristão até então predominante,
ampliando a concepção do ser supremo, que passou
a situar-se acima de qualquer crença.
Bernar
E. Jones, em seu Guia e Compêndio do Franco-Maçom
(Freemasons Cuide and Compendium, p. 334), refere uma
definição de John W. Simons (Principies of Masonic
Jurisprudence Princípios de Jurisprudência
Maçônica), que estabelece:
São considerados Landmarks as regras de conduta
que existem desde tempos imemoriais seja sob a forma
de lei escrita ou não escrita que são co-essenciais
à Sociedade (maçônica) que, na opinião
da maioria, são imutáveis, e que todo maçom
é obrigado a manter intactas, em virtude dos mais solenes
e invioláveis compromissos.
Daí
os princípios:
de
que um Landmark é irreformável perpetuamente;
de que nenhum novo Landmark pode ser criado;
de que, teoricamente, poderia, contudo, ser explicitado;
de que, mesmo que se concebesse a possibilidade de se
reunir em uma convenção mundial, todos os francos-maçons
regulares do planeta, e que mesmo que essa convenção
emitisse um voto unânime, ele seria detido pelas regras
acima citadas;
de que um Landmark não é nenhum símbolo,
nem uma alegoria, mas uma regra;
de que não é, contudo, um dogma, pois é
de origem humana;
de que qualquer um que discorde dessas máximas,
sai ipso facto da verdade maçônica.
Como
já vimos, na Maçonaria a idéia de Landmark
tem um sentido próprio, assumindo a característica
de lei, mandamento, norma de conduta e organização.
Uma
das particularidades da norma, da lei, é a de trazer
consigo um sentido de coação, de constrangimento,
e que representa a possibilidade de ser obedecida.
Aliás,
esta coação tem duplo sentido: primeiro, quanto
ao aspecto psicológico saber antecipadamente que
a transgressão pode redundar em pena, castigo, punição;
por fim, após a transgressão, a aplicação
da sanção, da punição propriamente
dita. De qualquer forma, admite-se que o indivíduo, exercitando
seu livre arbítrio, obedeça ou não, arcando,
contudo, com as conseqüências de seu ato.
CONTEXTO
HISTÓRICO
É nos Regulamentos Gerais de George Payne, de 1720, que
se encontra a primeira referência ao vocábulo Landmark.
Ali, o artigo 39 estabelece: Cada Grande Loja anual tem
inerente poder e autoridade para modificar este Regulamento
ou redigir um novo em benefício desta Fraternidade, contanto
que sejam mantidos invariáveis os antigos Landmarks...
Como aponta Nicola Aslan (ibidem, p. 16), ... a Assembléia
Geral celebrada a 25 de novembro de 1723, pela Grande Loja da
Inglaterra, substituiu a palavra landmark pela de
rule, regra, e incorporou o texto dos Regulamentos
Gerais de Payne no Livro das Constituições de
Anderson, na edição de 1738. E a expressão
rule continuou a ser empregada nas edições
posteriores, de 1756, 1767 e 1784.
No
entender de João César (op. cit. p. 97), A
Constituição de Anderson, promulgada em 1723,
é o marco que assinala a transformação
da Maçonaria de Operativa em Especulativa, embora já
existisse, muitos anos antes, a Maçonaria Simbólica,
ou melhor, a adoção dos Maçons Aceitos
ou Maçons Adotados .
De maneira nenhuma se pode deixar de levar em consideração
o contexto histórico em que as Constituições
foram elaboradas e a que tipo de interesses serviram. E importante
lembrarmos que, à época, vivia-se a idade
das Luzes, sendo natural que, depois do obscurantismo
medieval, as idéias iluministas influenciassem sobremaneira
a ambiência cultural e o pensamento. Uma das principais
características da época diz respeito à
valorização e à busca da razão das
coisas.
Na
Inglaterra do século XVI, era evidente a luta pelo poder
entre uma classe social ascendente a burguesia
e a nobreza. A arma principal da burguesia é o controle
econômico, que determina, em contrapartida, o controle
das idéias e valores, abrindo os horizontes do mundo,
estimulando as ciências, opondo-se aos dogmas religiosos,
destruindo a objetividade medieval e criando caracteres libertadores,
novas significações, novos ares sobre o mundo
velho e parado.
A
história registra que, no século XVI, após
o rompimento com o Papado, efetivado por Henrique VIII (fundador
da Dinastia dos Tudor), e a fundação da religião
anglicana por sua filha, Elizabeth I, a Inglaterra, sob o longo
reinado da soberana (1558-1 603), conhece um período
de apogeu cultural e político, transformando-se em potência
marítima e iniciando uma expansão colonialista.
De
1642 a 1649, a Inglaterra se defronta com uma guerra civil,
que culmina com a decapitação do rei Carlos I
(da Dinastia dos Stuarts), que queria governar sem parlamento.
Inicia-se, então, um período de nove anos de ditadura
militar de Oliver Cromnwell, que proclama a República.
Contudo, em 1660, é restaurada a Monarquia, com o trono
sendo entregue a Carlos II. Em 1707, Inglaterra, Escócia,
Irlanda e País de Gales formam a Grã-Bretanha,
ou Reino Unido. Com o afastamento dos Stuart, em 1714, a Dinastia
dos Hannover se instala no trono, ocupando-o até hoje.
Nos anos que se seguem, a Inglaterra consolida seu império
colonial, principalmente na Índia e América do
Norte.
Bastante
significativa a circunstância de que a Inglaterra, durante
o período em que esteve sob o governo do puritano Cromwell,
haver conhecido sua única Constituição
escrita: o Instrument of Government. Também
singular mostra-se o fato de os puritanos, que deixavam a Inglaterra
para livremente celebrarem seu culto em terras do Novo Mundo,
haverem redigido, ainda a bordo do Mayflower, o
documento político que haveria de estruturar a forma
de organização constitucional das futuras colônias
inglesas.
Entendemos
que a fixação dos Landmarks pela Maçonaria
anglo-saxã servia, fundamentalmente, á intenção
de serem garantidos seus interesses, especialmente quanto a
questões econômicas e comerciais, e quanto ao controle
sobre as Lojas que, naquele momento histórico, começam
a se multiplicar. Sem dúvida, isto afastou bastante a
Maçonaria dos seus objetivos primeiros.
Diz
Christian Jacq (op. cit.. pp. 1 8/1 9): De fato, no momento
em que a Franco-Maçonaria entra na história sob
a forma de uma instituição definida por regulamentos
administrativos, entra também num longo período
de decadência em relação às suas
finalidades de origem. A substância de uma ordem iniciatória
é, com efeito, o simbolismo, que dá ao homem a
possibilidade de iniciar-se em espírito; desde que uma
Ordem funda sua autoridade sobre uma legislação
temporal em detrimento de qualquer outro fator, condena-se a
se sujeitar às flutuações históricas.
A Maçonaria de 1717 esqueceu a máxima medieval.
Quando reina o espírito, não há necessidade
de leis".
Em
contrapartida, para outros, os acontecimentos de 1717 (a criação
da primeira Grande Loja da Inglaterra) representam o surgimento
esperado de uma Maçonaria que finalmente se destaca
de um clima manual e inculto, lançando-se aos cumes do
intelecto . (Christian Jacq, ibidem)
CONCLUSÃO
Jules Boucher (A Simbólica Maçônica, p.
217), citando Qswald Wirth, destaca que os Landmarks são
de invenção moderna e seus partidários
jamais conseguiram pôr-se de acordo para ,fixá-los.
Isso
não impede prossegue ele que os anglo-saxões
proclamem sagrados esses limites essencialmente flutuantes,
que se ajustam de acordo com seus particularismos. Cada Grande
Loja fixa-os de acordo com seu modo de compreender a Maçonaria;
a Maçonaria é compreendida de modos muito diferentes,
razão das definições contraditórias,
destrutivas da unidade dentro de uma instituição
que visa a concórdia universal.
Entendemos
que a profusão de pronunciamentos dos estudiosos do problema
dos Landmarks, via de regra imprecisos e mesmo contraditórios,
impede a sistematização de juízos válidos
no autentico caos em que se mergulhou o assunto.
Nicola
Aslan (op. cit., pp. 19/20) menciona a posição
de Virgílio A. Lasca, no seu trabalho Princípios
Fundamentales de la Orden e los verdaderos Landmarks,
que não existe, entre os autores, unidade de critério
para a seleção ou classificação
do que eles estimam deverem ser considerados como Landmarks
ou antigos limites. Estes foram estabelecidos recentemente,
depois dos meados do século XIX, e são mais fruto
da fantasia, pois os que deles se ocuparam enumeram-nos em classificações
que variam de 3 até 54.
Aslan
(ibidem) transcreve uma relação de 15 listas de
Landmarks conhecidas, elaborada por Virgílio A. Lasca,
que entendemos oportuno citar:
3 para Alexander S. Bacon e Chetwode Crawley;
6 para a Grande Loja de Nova York, que toma por base
os capítulos em que se dividem as Constituições
de Anderson;
7 para Roscoe Pound, a Grande Loja da Virgínia,
e o cubano Carlos F. Betancourt;
9 para J. G. Findel;
10 para a Grande Loja de New Jersey;
12 para A. S. Mac Bride;
15 para Jonh W. Simons e para a Grande Loja de Tennessee;
17 para Robert Morris;
19 para Luke A. Lockwood e a Grande Loja de Connecticut;
20 para a Grande Loja Ocidental de Colômbia, com
sede em Cali;
25 para Albert G. Mackey e Çhalmers I. Paton e
ainda a Grande Loja de Massachussets, a qual, embora só
admitindo 8 Landmarks, estes são iguais àqueles
enunciados por Mackey;
26 para a Grande Loja de Minnesota;
29 para Henrique Lecerff,
31 para o Dr. Oliver;
54 para H. G. Grant e para a Grande Loja de Kentucky.
Também
não passou despercebido para Aslan (ibidem) o fato de
que o tema interessou basicamente, e quase que exclusivamente
aos maçons da América do Norte. Diz mais
o estudioso: Todas essas relações de Landmarks
sofreram as mais severas críticas por parte de escritores
autorizados que os estenderam àqueles que, sob pretexto
de tratar dos antigos Landmarks da Ordem, deixaram a sua fantasia
voar. E cada qual considerando Landmark tudo aquilo que bem
quis e entendeu, originou-se desse modo uma grande perplexidade
e uma confusão ainda maior.
A
teoria dos antigos Landmarks da Ordem, como já vimos,
encontrou seus melhores partidários nos Estados Unidos.
Posteriormente, também a Maçonaria da América
do Sul passou a considerá-los, pelo menos até
os primeiros anos do século XIX, quando se intensificaram
os movimentos de emancipação das repúblicas
atuais de suas antigas metrópoles. Tais movimentos, surgidos
numa seqüência de fatos históricos iniciados
no século XVIII, a partir das revoluções
americana (a Independência dos Estados Unidos, em 1776)
e francesa (1789), consagraram inúmeros Libertadores,
entre eles Simón Bolívar, Bernardo O Higgins,
José de San Martin e Antonio José de Sucre.
Novamente
aqui verificamos a Imita entre a sociedade tradicional (nobreza
estrangeira) e a burguesia ascendente. Os libertadores
rechaçavam toda a intervenção estatal tia
vida e nos negócios dos cidadãos, baseando-se
no princípio do laissez-fruire, laissez aller (literalmente,
deixai fazer, deixai seguir).
A forma de organização que comumente adotaram
os participantes ativos da luta libertadora ou de emancipação
foi no princípio a da loja, que em geral
se encontrava integrada na Franco-Maçonaria internacional,
como o caso da Loja Lautaro, que granjeou grande prestígio
e poderio no Cone Sul do continente americano.
O
surgimento da Grande Loja da Inglaterra, em 1717, sob a direção
de Anthony Sayer, representou um dos melhores instrumentos com
que contou aquela nação para contribuir à
expansão, para ela imprescindível, de seu mercado,
artífice de seu desenvolvimento econômico.
A
ruptura da Maçonaria sul-americana com a das metrópoles
não teria representado uma transgressão a alguns
Landmarks ou regras estabelecidas?
Sem
dúvida, a cisão refletiu a vontade das comunidades
sul-americanas, fundada na ambiência social, econômica
e política que vivenciavam; enfim, inspirou-se na realidade.
Dentre
as diversas relações de Landmarks, a mais adotada
é a do escritor norte-americano Albert G. Mackey, contendo
uma lista de 25 itens.
Segundo
os estudiosos, Machey, inspirando-se nas noções
de história disponíveis à época,
cometeu inúmeros erros, o que reduz a sua lista de Landmarks,
apenas e tão somente, à condição
de referência para uma discussão. Aliás,
Nicola Aslan acentua que Mackey, ao longo de seus escritos,
censurava a incrível credulidade de Anderson, ironizando
mesmo as suas fantasias, contidas na suposta história
da Maçonaria redigida para constar das Constituições
de 1723.
A
contundência de Aslan (op. cit., p. 21) vai ainda mais
longe, quando diz que mesmo Mackey não conseguiu
livrar-se de todo da imaginária narração
de Anderson. Acreditou, como acreditaram todos os seus contemporâneos,
na grande antiguidade da Maçonaria, nas supostas Constituições
de York do ano de 926, e em outros fatos cuja veracidade histórica,
somente neste século, ficou estabelecida pelos historiadores
modernos que a negaram.
Se
considerarmos as manifestações dos seus mais categorizados
estudiosos, os franceses não dão nenhuma importância
ao problema dos Landmarks. Boucher (op. cit.. p. 217), com muita
propriedade, afirma que na Maçonaria francesa,
a Liberdade de Pensamento é um landmark
fundamental e, paradoxalmente, um landmark não tem limites!.
Também
Marius Lepage (LOrdre et les Obédiences), citado
por Aslan refere a questão dos Landmarks de forma até
irônica e agressiva. Uma única pergunta
diz Lepage Mostrai-me um Landmark, um verdadeiro...
Nunca houve, não há, nunca haverá
landmarks, salvo aqueles redigidos no dia a dia,
segundo as necessidades do momento, por um corpo administrativo
completamente desprovido de conhecimentos e de valor sobre o
plano de iniciação tradicional
A
esta altura, parece-nos pertinente a seguinte indagação:
Quando uma Constituição, de qualquer das inúmeras
Obediências hoje existentes, refere a necessidade de serem
respeitados os Landmarks, quais exatamente os que devem ser
considerados? Qual das listas antes referidas deve prevalecer?
Admitir-se
a necessidade ou a simples ocorrência de Landmarks, ou
seja, a existência de regras ou preceitos com características
de imutabilidade, é, na verdade, dogmatizar-se certos
enunciados, incorrendo no mesmo erro cometido pela Maçonaria
anglo-saxã, que na sua época, andou na contramão
da História, estabelecendo normas pretensamente irreformáveis
e perpétuas, em um momento histórico em que se
buscava a razão das coisas, um momento iluminado.
Constituição
e realidade são idéias que devem andar juntas,
pois a primeira qualidade de uma Constituição
é atender à realidade do povo, do grupo, ou da
nação a que vai servir. E a realidade toda
a ambiência social que fornece a matéria-prima
para a elaboração das normas, das regras de conduta
e organização. E a realidade há de ser
alguma coisa de muito profundo, que sobe do passado para inspirar
o presente e projetar-se no futuro.
Concordamos
com Nicola Aslan (op. cit., p. 13), que diz não acreditar
que o problema venha a ter, algum dia, definitiva solução,
se não se resolverem os maçons a relegar o assunto
dos Landmarks ao sótão da Maçonaria, para
lá fazer companhia a muitos outros, hoje considerados
como coisas imprestáveis .
E
para aqueles que condicionam a unidade da Maçonaria à
existência e à aceitação de Landmarks,
utilizamos as afirmações de Jules Boucher (op.
cit., p. 2 17): A unidade maçônica sonhada
por alguns é um engodo; jamais ela será realizada
e nem é desejável que o seja. A Maçonaria
deve adaptar-se aos diferentes países e corresponder,
em cada país, às diferentes aspirações
dos maçons. É o simbolismo maçônico
bem compreendido o único que deve formar, o cimento entre
todas as Pedras, e é por ele que a verdadeira Fraternidade
pode e deve se estabelecer. -
Eis
aí um desafio para todos nós, pois não
é admissível que entre homens livres e de bons
costumes, que compartilham os mesmos ideais, que adotam práticas
ritualísticas semelhantes, que dividem e guardam os mesmos
segredos, enfim, que se tomam por Irmãos, não
se consagre efetivamente o sentido da Fraternidade, e que existam
discriminações.
Afinal,
como disse Pitigorsky, Quem dá as costas à
Luz, só vê a própria sombra.
Na essência os Landmarks dizem
que:
A Maçonaria é uma fraternidade
iniciática que tem por
fundamento tradicional a fé em Deus, Grande Arquiteto do Universo.
A Maçonaria refere-se aos " Antigos Deveres " e aos
" Landmarks " da Fraternidade, especialmente quanto
ao absoluto
respeito das tradições específicas da Ordem, essenciais à
regularidade da Jurisdição.
A Maçonaria é uma ordem, à qual não podem pertencer senão
homens livres e de bons costumes, que se comprometem a pôr
em prática um ideal de paz.
A Maçonaria visa ainda, o aperfeiçoamento moral dos seus
membros, bem como, de toda a humanidade.
A Maçonaria impõe a todos os seus membros a prática exata
e escrupulosa dos ritos e do simbolismo, meios de acesso ao
conhecimento pelas vias espirituais e iniciáticas que
lhe são
próprias.
A Maçonaria impõe a todos os seus membros o respeito das
opiniões e crenças de cada um. Ela proíbe-lhes no seu
seio toda
a discussão ou controvérsia, política ou religiosa.
Ela é ainda
um centro permanente de união fraterna, onde reinam a tolerante
e frutuosa harmonia entre os homens, que sem ela seriam
estranhos uns aos outros.
Os Maçons tomam as suas obrigações sobre um volume da
Lei Sagrada, a fim de dar ao juramento prestado por eles,
o
caráter solene e sagrado indispensável à sua perenidade.
Os Maçons juntam-se, fora do mundo profano, nas Lojas
onde estão sempre expostas as três grandes luzes da Ordem:
um volume da Lei Sagrada, um esquadro, e um compasso,
para aí trabalhar segundo o rito, com zelo e assiduidade
e
conforme os princípios e regras prescritas pela Constituição
e os Regulamentos Gerais de Obediência.
Os Maçons só devem admitir nas
suas lojas homens maiores
de idade, de ilibada reputação, gente de honra, leais e
discretos, dignos em todos os níveis de serem bons irmãos,
e aptos a reconhecer os limites do domínio do homem e o
infinito poder do Eterno.
Os Maçons cultivam nas suas Lojas o amor à Pátria, a
submissão às leis e o respeito pelas autoridades constituídas.
Consideram o trabalho como o dever primordial do ser humano
e honram-no sob todas as formas.
Os Maçons contribuem pelo exemplo ativo do seu
comportamento são, viril e digno, para irradiar da Ordem
no respeito do segredo maçônico.
Os Maçons devem-se mutuamente, ajuda e proteção
fraternal, mesmo no fim da sua vida. Praticam
a arte de
conservar em todas as circunstâncias a calma e o equilíbrio,
indispensáveis a um perfeito controle de si próprio.
Sumariamente,
cada um dos 25 Landmarks:
1. Os
processos de reconhecimento.
2. A
divisão da Maçonaria Simbólica em três graus.
3. A
lenda do 3º. Grau.
4. O
governo da Fraternidade por um Grão-Mestre eleito por todos
os maçons.
5. A
prerrogativa do Grão-Mestre de presidir a todas reuniões
maçônicas no território de sua jurisdição.
6. A
faculdade do Grão-Mestre de autorizar dispensa para conferir
graus em tempos anormais.
7. A
prerrogativa do Grão-Mestre de conceder licença para fundação,
instalação e funcionamento das Lojas.
8. A
prerrogativa do Grão-Mestre de criar maçons ( iniciar e
exaltar) por sua deliberação.
9. A
necessidade dos maçons de se distribuírem em Lojas.
10.
O governo de cada Loja por um Venerável e dois
Vigilantes.
11.
A necessidade de que toda Loja trabalhe “a coberto”.
12.
O direito de todo mestre maçom de ser representado
nas assembléias gerais da Ordem e de dar instruções aos
seus representantes.
13.
O direito de todo o maçom recorrer em alçada perante
a Grande Loja ou a Assembléia Geral contra as resoluções
de sua Loja.
14.
O direito de todo maçom de visitar e de ter assento
nas Lojas regulares.
15.
Nenhum visitante, desconhecido como um maçom,
poderá entrar em Loja, sem primeiro passar por um exame,
conforme os antigos costumes.
16.
Que nenhuma Loja poderá interferir nas atividades
de outra.
17.
Que todo maçom está sujeito às leis penais e regulamentos
maçônicos vigentes na jurisdição em que reside.
18.
Que todo candidato à iniciação há de ser homem
livre e de maior idade.
19.
Que todo maçom há de crer na existência de Deus
como Grande Arquiteto do Universo.
20.
Que todo maçom há de crer na ressurreição e uma
vida futura.
21.
Que um livro da lei de Deus deve constituir parte
indispensável do equipamento de uma Loja.
22.
Que todos os homens são iguais perante Deus e
que na Loja se encontram num mesmo nível.
23.
Que a Maçonaria é uma Instituição de posse de
segredos que devem ser preservados.
24.
A fundação de uma ciência especulativa,
baseada numa arte operativa.
25.
Que os Landmarks da Maçonaria são inalteráveis.
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