13 de abril de 2005
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SÃO JOAQUIM
 

Quem pensa que ver paisagens cobertas por flocos de neve é privilégio apenas de europeus e norte-americanos está enganado. Aqui mesmo, no Brasil tropical, é possível presenciar esse mágico fenômeno da natureza. Nos meses do inverno, os municípios localizados nos pontos mais altos dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina são agraciados com a neve. São Joaquim, na Serra Catarinense, é um deles.
Considerada a cidade mais fria do país, entre os meses de maio e agosto, São Joaquim é tomada por temperaturas de até 10º negativos, geadas, nevoeiros intensos e a tão esperada neve, que a cada ano, pelo menos por duas a três vezes, dá o ar de sua graça. E quando ela chega, anunciada pelo vento sul, todos saem às ruas. Nessa hora jovens, adultos e idosos também viram crianças. São muitos vivas, gargalhadas de emoção e guerra de flocos. Alguém sempre lembra de construir um boneco de neve. Velho conhecido das crianças, ele saiu das revistas, do cinema e dos desenhos animados para freqüentar o inverno joaquinense.

O fascínio pela neve

O fascínio pelo fenômeno da neve é tão forte, que basta a notícia de uma frente fria com a mínima possibilidade de neve, para a cidade ficar lotada de turistas de todas as partes do Brasil e até do exterior. E não é por menos, apenas aqueles que já tiveram a oportunidade de presenciá-la, com seu branco alvíssimo a contrastar com os campos, os pinheiros araucárias típicos da vegetação serrana, os telhados e as taipas centenárias, sabem o quanto é indescritível a sua beleza. Antigos muros de pedras sobrepostas, as taipas eram utilizadas pelo homem serrano do início do século para demarcar as fazendas e cercar o gado. Hoje são importante referência histórica e turística da região.

Depois de passada a euforia, quando começam a gelar as mãos e os pés, é chegada a hora do aconchego junto a lareira, outra parte boa do inverno, pois não há nada como sentir calor quando o clima é frio. E isso São Joaquim oferece o melhor. É o calor dos fogões a lenha. Calor dos ponchos, cachecóis e gorros confeccionados artesanalmente com a pura lã de ovelha. Calor das bebidas quentes, como o chá-de-maçã e o quentão de vinho encontrados nas lanchonetes e bares da cidade, oferecidos muitas vezes como cortesia aos visitantes. Calor da gastronomia através do delicioso churrasco de frescal, dos variados pratos a base do pinhão, a semente da araucária, e dos apetitosos e irresistíveis fondues de queijo e chocolate. E para completar o calor humano do joaquinense, que na sua simplicidade de perfeito anfitrião, transcende num segundo o significado da palavra hospitalidade.

Vivendo emoções nas demais estações do ano

Mas não é apenas no inverno que São Joaquim é interessante. Em cada estação do ano é possível vivenciar uma sensação diferente. Na primavera, a florada das macieiras e das cerejeiras propiciam um espetáculo a parte, enchendo os olhos e o ar com o suave e adocicado perfume das flores. No verão, o clima ameno e o ar puro, aliados à tranqüilidade das pousadas rurais, fazem da cidade um lugar ideal para o descanso e encontro com a natureza. Também é nessa época que se pode provar o mel serrano, que pela pureza e sabor já foi premiado internacionalmente. Por fim o outono, onde são colhidas as deliciosas maçãs, que desde os tempos de Adão e Eva continuam tentadoras, mas com uma diferença, agora o pecado é não comer.

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