SEBASTIÃO FURTADO

O Coronel Sebastião da Silva Furtado nasceu em Lages, por volta de 1850, era filho do Cel. Moisés Furtado e D. Emilia Ribeiro Furtado.

Moço, ainda, ingressa nas lides jornalísticas, para a qual tinha notável predileção, sobretudo na expansão de uma cultura invejável, que aflorava prometedora, na ânsia de vôos mais amplos, que não podia sofrear. Assim começou a caminhada pública de Sebastião da Silva Furtado

Com Thiago de Castro, Caetano Vieira da Costa e Fernando Afonso de Áthayde, fundou o conceituado e respeitável órgão "Região Serrana" em 1897, atuante e autorizada voz da região serrana do Estado, pela sua desassombrada pregação cívica e doutrinária, que à época tinha em Furtado um dos jornalistas líderes da imprensa catarinense, inefável coluna mestra do então Partido Republicano Catarinense, do qual sempre fora categorizado arauto.

Sebastião da Silva Furtado já havia ensaiado seus primeiros passos como inteligente jornalista, colaborando em todos os jornais da terra, desde "O Lageano' de 1883 até os da época, antes da sua morte prematura - Na "Gazeta de Lages", no "Município" e outros. A sua pena revelava um entusiasta propagandista da República, na sua fase preparatória.

Na vida jornalística de Lages, o seu nome se impõe, com respeito e admiração e a sua cultura não só se revelava nos artigos que escrevia, mas nos versos que falavam da sua alma nobre, e sentimental, poeta na expressão do termo. Dignificou as letras lageanas, desde a sua arrancada jornalística quando a imprensa da terra já revelava o cabedal intelectual que por aqui se impunha, elevado e promissor.

Conselheiro Municipal (vereador), várias vezes, Deputado Estadual por Lages e São Joaquim, em seguidas legislatu-ras, começando por 1896 no Congresso do Estado, onde desempenhou importantes atribuições com sabedoria e equilíbrio, tomando parte em várias comissões. Conquistou renome e admiração pela eloquência como sabia, arre-batar a assistência, numa linguagem elevada e elegante.

Foi advogado por muito tempo, depois Promotor Público da Comarca, tendo partilhado, com inteligência e critério no movimentado processo contra os Irmãos Brocatos, que agitou, não só Lages, como o Estado e até o País, onde o desempenho da justiça lageana, recebeu os maiores louvores pela brilhante atuação, em rasgados elogios, até do estrangeiro, no desfecho da horrorosa tragédia, que ensanguentou Lages, nos primórdios do século XX. Nesse ruidoso processo Sebastião Furtado serviu come defensor da sociedade lageana.

Na fundação do veterano Clube "1º de Julho", a sua alma vibrátil se fundira aos entusiastas da época. Foi um dos fundadores tendo elaborado os seus estatutos e foi o seu primeiro orador, na fase da sua organização.

A sua palavra fácil empolgava pela erudição, pelos conceitos e pelas imagens com que exprimia seu pensamento, ao seu tempo, tanto na tribuna, como na imprensa, ou onde quer que fosse, a sua cultura conquistou largo prestígio popular, foi um dos grandes tribunos catarinenses que, sobremaneira, honrou e dignificou a terra que o viu nascer, preciosa gema, ainda, cintilante no rico e invejável diadema da Princesa da Serra.

A cidade de São Joaquim homenageia este grande vulto histórico ao nominar uma de suas mais tradicionais ruas, a qual também é conhecida como "Rua Nova".

Faleceu em novembro de 1915, provocando geral consternação

 

Conforme redação da Revista Indústria e Comércio. (No bicentenário de Lages)

(Fonte: Revista Blumenau em cadernos, Ed. 369, Setembro de 1987- Historiadora Maria Batista Nercolini)