|
PAULO
BATHKE
Nascido
em Berlim, Alemanha, Johannes Friederich
Paul Gellert Dietrich Bathke chegou
ao Brasil em 1890, desembarcando na cidade de
Salvador/BA. Em seguida segue para Blumenau,
junto à grande colônia de alemães
recentemente instalada na região. Alimentando
seu espírito aventureiro, segue para
Lages e finalmente radica-se no vilarejo chamado
São Joaquim da Costa da Serra, local
este que o impressionou pela beleza singular.
Antes
de decidir imigrar para o Brasil, no final do
Séc. XIX, Paulo Bathke fazia parte de
uma comissão especializada que iria prestar
serviços no Japão, mas por decisão
de última hora do Kaiser, a viagem foi
cancelada, o que frustrou o aventureiro, que
anteriormente já tinha viajado por toda
a Europa, eis que, além do alemão,
falava fluentemente inglês, francês,
italiano, espanhol.
Desiludido
por não ter ido ao Japão, seu
espírito aventureiro o traz ao Brasil,
e por conseguinte a São Joaquim, onde
constitui família e fixa residência.
Por
duas vezes ainda retorna à Alemanha para
rever familiares, mas apenas por pouco tempo,
eis que sua morada definitiva estava em São
Joaquim da Costa da Serra, povoado que adotou
e do qual tornou-se figura legendária.
Paulo
Bathke, como passou a ser chamado pelo povo
joaquinense, já que ninguém sabia
pronunciar seu nome em alemão, casou-se
em 20 de janeiro de 1893 com Maria Olinda da
Silva Ribeiro, descendente da tradicional e
influente família dos Ribeiros, grandes
fazendeiros e políticos da época.
O
pioneirismo deste imigrante se acentua na década
de 1930, tendo sido eleito prefeito de São
Joaquim de 1931 a 1934. Abriu a maior parte
das estradas hoje conhecidas, numa época
rudimentar para este tipo de atividade; introduziu
o cultivo da macieira na região, além
de ser um grande entusiasta do cultivo da maçã,
tendo inclusive provado ao então governador
Adolfo Konder que uma macieira dava lucro duas
vezes maior que um pé de café;
Construiu e administrou o primeiro cinema e
comprou o primeiro caminhão de São
Joaquim e, como prefeito, construiu o Grupo
Escolar Manoel Cruz, uma das obras de maior
importância da história da cidade;
Não
bastasse todas as suas realizações
como líder social, Paulo Bathke, além
de ter doado terras a município, exerceu
diversas outras atividades, tais como advogado,
jornalista (fundou um jornal em São Joaquim),
botânico, agrimensor e político.
Mas também exerceu uma atividade inusitada,
foi revolucionário: Juntamente com seu
genro Chico Palma, defendeu São Joaquim
com armas na mão quando um pelotão
de policiais que praticavam torturas em Lages
e Painel ameaçavam invadir a cidade.
Assm, reuniu mais de cem homens armados com
fuzis e fizeram uma espera na região
da atual serrinha para esperar e repelir os
invasores. Entretanto, como as notícias
já naquela época viajam com rapidez,
os bandidos souberam da resistência e
acabaram desistindo.
Paulo
Bathke, por ser um homem culto e amante da música,
trouxe para São Joaquim, a fim de ensinar
a arte aos seus filhos, o maestro Waltrick e,
através deste, o músico Leonel
Porto, que viria a ser um dos fundadores do
famoso grupo musical “Pedacinho do Céu”.
De
muitos relacionamentos políticos, Paulo
Bathke conviveu com grandes personalidades,
tais como Osvaldo Aranha, Flores da Cunha, Nereu
Ramos, Vidal Ramos e Adolfo Konder.
(Fonte:
Terezinha de Jesus Thibes Bleyer Martins Costa)
|