|
DANTE
MARTORANO
Nasceu
em 10/09/1925 em São Joaquim. Faleceu em 17/08/1985
em Florianópolis. Filho de Egidio Martorano
e Eulália Bra-sil Martorano. Foi casado com
Maura M. Martorano. Advogado, Jornalista, poeta autor
de várias obras.
SÃO JOAQUIM
Sim,
a esta terra agreste, rude e montanhosa
A resplandecente rosa,
Toda estranha ao Brasil, neste seu frio intenso
Divino amor incenso.
É terra brasileira. Um fúlgido adereço,
Cujo brilho eu conheço
Como requinte e jóia que do Pindorama
Completa o panorama.
Não
tem o hábito verde das selvas luxuosas.
Das serras alterosas
Do esplendor dos sertões. Nem o sol tropical
Já lhe ressaca o val.
Palpita o coração de Brasil nas gargantas
E nas floridas mantas
De relva, que recobrem um rochoso solo,
Deste gelado pólo.
Sim
nesta terra agreste e rude e montanhosa,
Bela e fria e alterosa,
Nasci e seus segredos descubro feliz,
Nas frases que ela diz.
Porque estes campos falam e sempre os compreendo,
E o passado revendo,
Ouço vozes, tropel e vento nas chapadas,
Ecos das cavalgadas!
Eu
quero repousar aqui meu pensamento,
Lânguido e sonolento,
Como a monotonia das verdes chapadas
Das tranqüilas manadas,
Eu quero repousar o espírito cansado
De poeta amargurado.
Mas lutador viril, que ao céu a mão
levanta
E no amor se agiganta.
Eu
quero repousá-lo em quietos horizontes,
Nos altaneiros montes.
Nos verdes pinheirais, no arroio sussurrante,
No campo verdejante.
Eu quero repousá-lo na minha lembrança,
Dos meus tempos de criança,
No imorredouro amor a esta terra natal,
No verdejante val.
Quando o lençol da neve cobrir as campinas,
Alvejar nas colinas,
Recamar os pinheiros, refulgir ao sol
E no alegre arrebol
Enrubescer - verei em ti celestes louros,
Sonhos imorredouros
Que os almejo ter, para estas paragens que amo
Que a beleza proclamo
Oh!
é teu o meu triunfo, minha terra agreste
A poesia se veste
Apenas com as galas que ostentas luxuosa
Altiva e agreste rosa.
E os meus louros de poeta que sorveu na fonte
De teu verde horizonte,
Quero-os depositar com amor e carinho,
Neste meigo cantinho.
(Fonte:
Revista Blumenau em cadernos, Ed. 371, Nov/Dez de
1987- Historiadora Maria Batista Nercolini)
|