A  G.∙. D.∙. G.∙. A.∙. D.∙. U.∙.

A.∙.R.∙.L.∙.S.∙. Fraternidade Serrana, nº 57

SÃO JOAQUIM - SC


 

AS CINCO VIAGENS DO COMPANHEIRO MAÇOM E SEUS INSTRUMENTOS

Ir.: Iran Fontanella de Brida
Confederação Maçônica do Brasil – COMAB
Grande Oriente de Santa Catarina – GOSC
ARLS Fraternidade Serrana N. 57
São Joaquim- 09/05/2010


1. INTRODUÇÃO

Na senda maçonica nosso progresso deve ser contínuo. Iniciamos a caminhada na construção de nosso templo interior no momento de nossa iniciação onde somos submetidos as quatro provas do aprendiz, que representam as antigas iniciações as quais simbolizam a terra o ar a agua e o fogo. Quando nos apresantamos juntamente com o Ir.’. Experto à porta do templo desejando passar do prumo ao nível, e continuar no crescimento pessoal, estamos prestes a iniciar as novas viagens, sendo que desta vez em numero de cinco. E é sobre essas novas viagens e as ferramentas que utilizamos para transpolas que iremos discorrer nessa peça de arquitetura.

2. AS CINCO VIAGENS DO GRAU
O aprendiz ao adentrar o templo recebe instrução do venerável mestre, que ele irá passar do número TRÊS ao número CINCO e que deverá realizar cinco viagens, em alusão aos cinco anos de trabalhos e de estudos, que era, primitivamente, a exigência para que os obreiros aspirassem à ascensão dentro da Ordem.

2.1 PRIMEIRA VIAGEM

A primeira viagem é consagrada aos cinco sentidos do homem, a Visão, a Audição, o Olfato, o Tato, e o Paladar. O vocábulo “Sentido” é derivado do latim sentire e se aplica a qualquer uma das aptidões da alma. Através dos sentidos, o corpo humano estabelece um relacionamento perfeito com o mundo exterior, é a percepção pelos cinco sentidos “convencionais” sendo esta comunicação a razão do viver. O homem isolado, encarcerado, tendo perdido seus sentidos, aproxima-se muito do ser inanimado o qual passa a ter uma vida vegetativa, quase que a definição da morte.
Para a pratica desta viagem o Ven.’. Mest.’. solicita que o ir.’. M.’. de CCer.’. substitua a Régua que o Ir.’. Apr.’. porta, pelo Maço e o Cinzel. O maço é uma espécie de martelo, de maiores proporções, maçonicamente, é a ampliação do malhete, instrumento empunhado pelo Venerável Mestre e pelos Vigilante, representa a força e o vigor, sugere duas situações, uma ativa, outra passiva; a ativa é quando bate, e passiva quando o objeto batido sofre o choque. O cinzel, é o instrumento que, com o maço, serve para desbastar simbolicamente a pedra bruta, esta um emblema da personalidade não educada e polida do aprendiz. Representa o intelecto.
Em ato continuo a substituição dos instrumentos, o V.’. M.’. da a seguinte explicação, “meu ir.’., esta viagem simboliza o período de um ano que o Comp.’. deve empregar em aperfeiçoar-se na prática de cortar e lavrar a P.’. B.’. que aprendeu a desbastar quando apr.’., com o Maço e o Cinzel. Por muito perfeito que seja o Apr.’. lembrai-vos que sozinho não pode terminar a sua obra, visto que como os molhes de pedras no Templo, que eleva A.’.G.’.D.’.G.’. A.’. D.’.U.’. exige um duro e penoso trabalho com o Maço e o Cinzel, não se desviando do que pelos mestres , lhe foi traçado.

2.2 SEGUNDA VIAGEM

Objetiva o estudo das cinco ordens da arquitetura: Dórica que significa União e representa a Inteligência, Jônica que significa Beleza e representa a Retidão, Coríntia que significa Grandeza e representa o Valor, Compósita que significa Força e representa a Prudência e por fim a Toscana que significa Perfeição e representa a Filantropia, estas ordens formam a base simbólica da maçonaria, pois além de considerar a arte de construir um princípio operativo, considera um conjunto arquitetônico a formação da personalidade humana, incluindo o seu caráter, e seus aspecto moral, intelectual e essencialmente espiritual.
Nesta segunda viagem o Ven.’. Mest.’. pede que o Maço e o Cinzel sejam substituídos pelo Compasso e a Régua de 24 polegadas. Filosoficamente, o homem constrói a si próprio, e para que resulte um templo apropriado a glorificar o G.’. A.’. D.’.U.’.torna-se indispensável saber usar cada um dos principais instrumentos da construção. Dos alicerces ao teto, todos eles são indispensáveis, O compasso mede os mínimos valores até completar a circunferência e o círculo onde fixamos uma das hastes do compasso e, girando sobre nós próprios, executaremos com facilidade o projeto perfeito. A Régua de 24 polegadas, adotada pela maçonaria, simboliza o dia com as suas 24 horas, o seu tamanho, 0,66 cm sugere que é um instrumento destinado à construção. Filosoficamente, o maçom deve pautar sua vida dentro de uma determinada medida, ou seja, deve programá-la corretamente e não se afastar dela.
O Ven.’. Mest.’. instrui que a segunda viagem nada mais é que o símbolo do segundo ano, no qual o apr.’. deve adquirir os elementos práticos da maçonaria, isto é, a arte de traçar linhas sobre os materiais desbastados e aplainados, o que só consegue com a Rég.’. e o Compasso.

2.3 TERCEIRA VIAGEM

A terceira viagem é dedicada às artes liberais concebidas na época do surgimento do REAA: gramática, retórica, lógica, musica e astronomia; Evidentemente hoje teríamos uma gama bem diferente a considerar, pois a evolução da tecnologia ensejou o surgimento de novas profissões, jamais imaginadas na época que surgiu o Rito.
Nesta terceira viagem, o Aprendiz continua com a Rég.’. e substitui o Comp.’. pela Alav.’. instrumento que representa simbolicamente a força da inteligência, subjugada pela vontade do homem. Seu formato, sugere essa referida força; basta-lhe um ponto de apoio para erguer um peso enorme sob a simples pressão muscular de um braço. Arquimedes dizia: " Dai-me um ponto de apoio que erguerei o mundo" , manifestação filosófica no sentido de valorizar o " ponto de apoio".
Em nossa vida quando no deparamos com algum obstáculo a ser removido e que expressa um esforço impossível, o maçom deve evocar a alavanca e buscar esse "ponto de apoio". As vezes , a solução está perto de nós e não visualizamos porque nossa atenção está voltada para o grande obstáculo. A lição da alavanca é que não há peso que não possa ser removido. Existindo o problema, ao lado estará a solução, basta encontrá-la. O ponto de apoio é quem suporta todo o peso do obstáculo e, assim, revela-se a parte mais importante. Numa fraternidade, cada irmão constitui um "ponto de apoio", que unidos representa a alavanca, devemos aprender a usar esse poder que só a maçonaria propicia.
Em sua instrução o Ven.’. Mest.’. informa que esta terceira viagem simboliza o terceiro ano, no qual, se confia o Apr.’. a direção o transporte e a colocação de materiais trabalhados, o que alcança com a Reg.’. e o Comp.’..

 

2.4 QUARTA VIAGEM

Por ser esta viagem essencialmente filosófica está simbolicamente dedicação à memória dos grandes filósofos: Solon, Sócrates, Licurgo e Pitágoras.
Nesta viagem o Ir.’. Apr.’. receberá do Ir.’. M.’. de CCer.’. o Esq.’. que será substituído pela Alav.’. O Esquadro serve para esquadrejar e poderá com ele transformar a pedra bruta em pedra angular e devidamente desbastada, visando - num trabalho - poli-la e burila-la para ser transformada em pedra de adorno na construção. O Esquadro que forma um ângulo reto nos ensina a retidão de nossas ações; o maçom em sua linguagem simbólica diz que pauta a sua vida "dentro do esquadro" tudo está na dependência da retidão, tanto na horizontalidade como na verticalidade.
Seguindo-se as hastes do esquadro, teremos dois caminhos que vão se afastando, quando mais distantes seguirem; isso nos ensinará que se nossa vida se pautada de forma correta, encontraremos o caminha da verticalidade espiritual e o da horizontalidade material.
A instrução do Ven.’. Mest.’., diz que esta quarta viagem simboliza o quarto ano de um Apr.’. no qual ele deve ocupar-se principalmente na elevação do edifício na direção do seu todo, verificando a colocação de materiais reunidos para terminar a obra maçônica. Ela ensina que só a aptidão o zelo e a inteligência que tendes mostrado em vossos trabalhos, podem elevar-vos acima dos IIr.’. menos instruídos e zelosos do que vos.

2.4 QUINTA VIAGEM

A quinta viagem é dedicada a glorificação do trabalho. Significa que, tendo, o candidato terminado a sua aprendizagem material, representada pelas quatro viagens, em que ele conduziu instrumento de trabalho, ele pode aspirar a alguma coisa além do que pode ser percebido no plano físico do Aprendiz. Ou seja, ele está pronto para a transição do plano físico ao plano espiritual, ou plano cósmico.

Terminada a quinta e última viagem, o Ven.’. transmite o seu significado, dizendo: esta quinta viagem mostra que o Apr.: suficientemente instruído nas práticas manuais, deve, durante o quinto e último ano, aplicar-se ao estudo teórico. Não basta estar no caminho da Virtude, para nela nos conservamos e chegarmos a perfeição. São necessários muitos esforços. Segui, pois, o objetivo traçado e tornai-vos digno de conhecer os altos trabalhos maçônicos.

3. CONCLUSÃO

A evolução maçônica depende de muito trabalho e dedicação seja nos três anos de aprendiz, nos cinco anos de companheiro ou nos anos que ainda teremos pela frente na busca da evolução, dele, dependerá que cheguemos com a nossa obra completa e perfeita, as viagens nos mostram que sem o trabalho, seja ele, bruto ou intelectual, e sem o uso adequado dos instrumentos a sua transposição será difícil e talvez até incompleta, por isso devemos realmente nos dedicar a aprender dia a dia, hora a hora grau a grau.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GRANDE ORIENTE DE SANTA CATARINA. Ritual de Companheiro Maçom – Rito Escocês Antigo e Aceito. GOSC, Florianópolis. 2001
CAMINO, Rizzardo da; Simbolismo do segundo grau: Companheiro; 3. Ed. São Paulo: Madras, 2009
SANTOS, Sebastião Dodel dos – Dicionário Ilustrado de Maçonaria.

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Construção: Ir.·. Omero Souza Barbosa M.·.M.·.

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