A  G.∙. D.∙. G.∙. A.∙. D.∙. U.∙.

A.∙.R.∙.L.∙.S.∙. Fraternidade Serrana, nº 57

SÃO JOAQUIM - SC

 

 

 

A Pedra Cúbica: Um Ideal de Perfeição

Quem quer que pretenda entrar na Ordem Maçônica deverá preencher alguns requisitos, dentre os quais o de possuir instrução suficiente que lhe possibilite compreender e aplicar os ensinamentos da Instituição. Não se exige que possua riqueza ou nível superior de escolaridade. Assim é que nela ingressam homens das mais variadas condições sociais, profissionais e culturais: médicos, advogados, alfaiates, comerciantes, psicólogos, professores, magistrados, padres, pastores militares, mecânicos, policiais, vendedores. E todos o fazem na mesma condição: a de simples Aprendizes.
Dentro do simbolismo maçônico, o Aprendiz representa o Homem em sua infância humana e espiritual. Em tese, nada sabe,apenas soletra, pois não sabe ler. Seus passos, como revela a marcha do grau, são tímidos e em uma única direção, porque não conhece outros caminhos. Além disso, o Aprendiz é representado alegoricamente como uma pedra bruta, que deverá ser devidamente trabalhada até que se torne um cubo. Assim, desde que iniciado, o neófito é estimulado a dominar seus impulsos, vícios, emoções, fraquezas, paixões, enfim, tudo aquilo que ele carrega de imperfeições do mundo profano,para que efetivamente venha a fazer os progressos que a Maçonaria requer, e tornar-se um obreiro útil na Grande Construção.Para tanto, a Maçonaria não impõe nenhum Código de Conduta Moral.Nem assenta seu ensino como base nos sistemas pedagógicos comuns no mundo profano. Além dos ensinamentos ministrados no grau, relativos a ritualística, à liturgia, à historia e à legislação maçônicas, uma sabedoria oculta em diversos símbolos é apresentada ao mesmo, fazendo o refletir sobre valores fundamentais para o seu desenvolvimento. Trata-se de um saber fundado na interpretação dos símbolos e não de conhecimentos apreendidos a partir da repetição sistemática de algumas lições.
Ao fim do primeiro grau, após trabalhar e desbastar a pedra bruta – que é ele mesmo – o Aprendiz é elevado a Companheiro, com a incumbência de torná-la Cúbica e polida, de modo a permitir seu encaixe às outras na construção do templo Ideal que a Maçonaria se propõe erigir, que nada mais é que a própria humanidade elevada a estagio utópico de perfeição. Ao Companheiro cabe, então, elevar seu espírito a um nível de perfeição ideal. Trata-se de transformar seu ser, sua personalidade num cubo perfeito, eliminando de si, finalmente, os elementos mais grosseiros de sua natureza terrena. E é por isso que a Pedra Cúbica simboliza o homem perfeito, sem defeitos, um verdadeiro Mestre. Ele representa o ideal de perfeição intelectual, moral e espiritual que o companheiro deve esforçar-se para realizar em si mesmo. È por isso também que ao fim do seu trabalho, cumprida a incumbência que lhe fora proposta, tornada a Pedra Cúbica e Polida, realizada a Obra Prima, o companheiro é exaltado a Mestre. Na tradição esotérica se diz que quando o discípulo esta pronto, o Mestre aparece.O mesmo ocorre em relação à Pedra Cúbica: quando esta acabada, polida, o companheiro está pronto. Então, o Mestre aparece.
È preciso observar no entanto, que, a simples aquisição e assimilação de conhecimentos do grau não são suficientes para que o companheiro complete seu trabalho de tornar-se uma Pedra Cúbica. A aquisição de conhecimentos é fundamental para qualquer pessoa, principalmente dentro de uma instituição filosófica, mas não é o suficiente para a Maçonaria, pois isto requer apenas estudo dedicado e compreensão. Mesmo aquela apreendida a partir da interpretação dos símbolos. Em uma analise, situa-se em plano meramente intelectual. No que diz respeito aos ensinamentos maçônicos,todavia embora importante, isto não basta, uma vez que, no plano intelectual, qualquer pessoa inteligente pode adquiri-los, independentemente de ser ou não maçom,bastando, para isso, a leitura e a repetição continuada dos Rituais e de seus comentários dispostos em vários livros maçônicos.
Assim todos os conhecimentos maçônicos devem ser direcionados pelo Companheiro para o campo pratico, para os embates de sua vida diária, sob pena de tornarem um mero exemplo de intelectualismo. Os conhecimentos, por si só, não têm qualquer utilidade, se não forem postos em pratica, testados e, sobretudo, vivenciados.
De nada vale a assimilação de toda uma filosofia de vida que só é utilizada em raros momentos, para dar vazão a uma retórica vazia e divorciada da realidade. Aí reside a maior dificuldade do Maçom, que passa, na maioria das vezes, pelos dois primeiros graus simbólicos e chega a Mestre, sem se dar conta disso. O resultado, infelizmente, é a ausência de sinceridade, de humildade, de tolerância, de espírito de fraternidade e de outras tantas virtudes que acabam, quando muito permanecendo embaçadas no caráter do Maçom.
A questão da necessidade de aperfeiçoamento nem chega a ser um problema, pois é um consenso que, como seres humanos, somos todos imperfeitos. Todos temos defeitos, alguns mais evidentes, outros menos. Nesse aspecto, há um reconhecimento praticamente explícito. Mas há um reconhecimento também de que somos, igualmente, todos perfeitos, com as mesmas possibilidades de atingir um ideal de perfeição que nos diferencie efetivamente dos demais seres considerados inferiores, cujos instintos, próprios da sua natureza, não permitem uma evolução como a humana. Não se trata de nos tornarmos seres sobre-humanos ou criaturas iguais a deus, mas pessoas de reto pensar e de conduta condizente com os elevados ideais e princípios proclamados pela Ordem à qual pertencemos.
Para atingir o estado ideal de perfeição, tal como a formulação proposta na alegoria da Pedra Cúbica, além do reconhecimento da nossa natureza inferior e da possibilidade de sua transmutação, é preciso um propósito firme de aperfeiçoamento, de superação dos entraves que impedem nossos desenvolvimentos interiores, morais e espirituais.
Aliado a isto é necessário um constante auto-exame e a aplicação prática, sincera e honesta, no nosso dia-a-dia, dos ensinamentos assimilados no plano intelectual. Em conseqüência, sobressaltarão a beleza e a perfeição observadas na Pedra Cúbica e a Sabedoria inerente ao verdadeiro Mestre.
A Loja, o trabalho, a escola e o lar devem funcionar como campos de experimentação, verdadeiros laboratórios, em que os ensinamentos filosóficos do grau receberão o processamento alquímico-mental necessário à transmutação das nossas qualidades inferiores na mais sublime expressão do nosso Ser. São as diferentes situações com as quais deparamos na vida que nos permitem, à luz dos ensinamentos maçônicos, transformar, na prática, nossa Pedra Bruta em Cúbica.

Bibliografia:
Livro Reflexo da Senda Maçônica de autoria de Robson Rodrigues da Silva paginas, 126 a 128
Or.·. De São Joaquim, 12 de abril de 2005 EV.·.


Ir.·. Iran Souza Oliveira A.·. M.·.


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Construção: Ir.·. Omero Souza Barbosa C.·.M.·.

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